CANTO DE FRASSINO

Os meus horizontes são de Vida e de Esperança !

Textos

ODE À REPÚBLICA
«5 De Outubro de 2018»

Nestes meus versos quero cantar-te, ó República
Deste País que anda à deriva e sem nexo
Não distinguindo o que é coisa privada ou pública
Deixando, integralmente, o cidadão perplexo.
Quero cantar-te, já que louvar-te não sei
Por saber que em ti não há respeito nem lei.

Quero cantar-te nesta balada que é fado,
Fado trinado numa guitarra ferida,
E canto pelo meu povo desencantado,
Não encontrando um sentido real pra vida.
Eu não te louvo, pois não te acho com graça,
Muito menos capaz de rasgar tal mordaça.

Tu, ó República, suspiras pelos teus direitos
E sentes revelar-se o teu sonho gigante,
Aquele sonho que teima em reencontrar os feitos
De um histórico devir com gesta delirante.
Mas tu, República, olvidas todos os deveres
Que te compete cumprir para t´ engrandeceres…

Tu, ó República, tens direito à Educação
Mas, onde está a tua verdadeira escola:
No lar de cada família ou de cada mansão
À espera que ela surja como uma esmola?
Ai, ó República, quem por ti irá responder
Às marés de ignorância que tendem a crescer?

Tu, ó República, tens direito à Igualdade
Mas, onde está o teu verdadeiro estandarte:
Será que todos são iguais por equidade
Ou, uns mais iguais qu´ outros, por engenho e arte?  
Ai, ó República, quem por ti irá travar
A onda de desprezo que tende a alargar?  

Tu, ó República, tens direito à Justiça
Mas, onde está a tua verdadeira balança:
Será que o pobre e o rico cantam a mesma missa
Ou algum destes consegue maior cobrança?
Ai, ó República, quem por ti arrancará
Toda esta máscara de ontem, d´ hoje e amanhã?

Tu, ó República, tens direito à Habitação
Mas, onde está a tua verdadeira morada:
Será quem mais riqueza tiver, tendo à mão
Tudo o que na vida quiser, sem faltar nada?
Ai, ó República, quem por ti há-de gritar
Toda esta especulação que tende a germinar?  

Tu, ó República, tens direito ao teu Sustento
Mas, onde está o teu verdadeiro ganha-pão:
Naqueles pra quem o capital é fundamento
Ou naqueles que são vítimas de exploração?
Ai, ó República, quem te há-de defender
Desta corrupção que intenta recrudescer?

Tu, ó República, tens direito à tua Defesa
Mas, onde está a tua verdadeira imagem:
Nas agressões contra o estado da natureza
Ou naqueles que desprezam a tua coragem?
Ai, ó República, quem te haverá d´ acudir
No surto de violência que tende a explodir?

Tu, ó República, tens direito à Fraternidade
Mas, onde está o teu verdadeiro sossego:
Naquela doce paz sem conflitualidade
Ou na ameaça nua e crua do desaconchego?
Ai, ó República, quem te há-de dar valor
Neste mundo de desconcerto e sem amor?

Tu, ó República, tens direito à Liberdade
Mas, onde está a verdadeira autodeterminação:
No desrespeito para com a tua identidade
Na mera ideia de seres joguete de numeração?
Ai, ó República, quem é que te explica?
Só o Povão que diz: isto é que vai uma República!  

Sim, tu és uma trágico-comédia… e mais nada,
Onde, em cada sítio, abundam mil e um sacanas,
Tratando tudo e todos, à laia de macacada,
Fazendo do país uma República de Bananas.
Ai, República, República, quem te viu e quem te vê…
Pobre do Cidadão, qu´ o é sem saber porquê!


Frassino Machado
In RODA-VIVA POESIA
FRASSINO MACHADO
Enviado por FRASSINO MACHADO em 05/10/2018


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