CANTO DE FRASSINO

Os meus horizontes são de Vida e de Esperança !

Textos

OS SANTOS INOCENTES
As trovas dos Valinhos

Duas crianças, inocentes,
Dos caminhos deste mundo
Já estão na alma dos crentes
Em culto de fé jucundo.

Nasceram desconhecidas
De famílias estigmatizadas
E deram as suas vidas
Num rosário de pegadas.

Cada dia, ao sol nascer,
À frente do seu rebanho
Por sendas, a subir e descer,
Ganhavam seu pão estranho.

P´ las veredas dos Valinhos
Com frio, com chuva e ao vento,
Com dores e sem carinhos,
Sem direitos e sem lamento.

Sempre vestidas de fome,
De côdeas secas, sem lume,
Sem privilégio dum nome
Dormindo às vezes no estrume.

Passavam à porta da escola
Com as ovelhas a balir
E um vazio na sacola
Sem vontade de sorrir.

Desde manhã até à noite
Apanhavam bolotas a rodos
Com medo de algum açoite
Que apanhariam de todos.

Ninguém estranhe as visões
Que juraram ter vivido
Vida negra e alucinações
Teriam ou não ocorrido.  

Num ano de fim-de-guerra
Sem tempo pra fantasias
Por todo o lado, na terra,
Mendicância e epidemias

Morreram cedo, é natural,
Agarradas ao seu rosário,
Ficou delas um roseiral
Com espinhos de fadário.

Mar de histórias comoventes
Das crianças dos Valinhos
E agora, «os santos inocentes»
Num altar de pergaminhos.

É justo um lugar cimeiro,
É merecido todo o louvor,
E seria justo e pioneiro
Haver milagres sem dor.

Há Valinhos por todo lado,
Há crianças estigmatizadas,
Que mereciam um outro fado
Do que serem exploradas.

Aos bons santos e Maiorais
Propõe-se a canonização
Dessas crianças sem pais,
Com verbas de angariação.

Mãe de Fátima e santo Padre
Poder-se-ão bem entender;
Que admirável seria o milagre
Se isso viesse a acontecer.

Minhas Trovas dos Valinhos
Eu venho aqui ofertar
Aos resistentes Peregrinos
Que a Fátima irão chegar!  

Frassino Machado
In JANELAS DA ALMA
FRASSINO MACHADO
Enviado por FRASSINO MACHADO em 11/05/2017
Alterado em 11/05/2017


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