CANTO DE FRASSINO

Os meus horizontes são de Vida e de Esperança !

Textos

TROVAS E LAMENTOS
“À Célia Cavaco”

Escuta, ó lua minguada,
Desse céu mal arrumado
Meu pranto de madrugada
É um triste fado enjeitado.

Ouço tiros e vejo facas,
É assim que vai o País,
Gentinha de ideias fracas
Sem ter siso nem raiz.

Já são pais e já são filhos,
São irmãos e são amigos,
Há tristezas e há sarilhos
Com sofrimentos e castigos.

Boas mães e bons maridos,
Fortes homens e mulheres,
Com ciúmes reconvertidos
Em negócios e afazeres.

De manhã são namorados,
E de tarde namoradas,
Há corações recalcados
E vidas atabalhoadas.

Há sangue dentro das casas
E sangue a correr nas ruas
Aos anjos cortam-se as asas
Voando lágrimas cruas.

No poder há desgoverno,
Anda a dormir a justiça,
Todo o país é um inferno
Com tanta lei movediça.

Consta que há vários partidos
E certas instituições,
Parece um país de vencidos
Despido de convicções.

Desconhece-se a galhardia
Boceja-se o dia inteiro
E a única benfeitoria
É quando alguém tem dinheiro.

A terra parece madrasta
E se há pão come-se duro
A paciência já está gasta
E tem-se medo do futuro.

Há um vazio de crianças
E as poucas que ainda há
Irão crescer sem esperanças
Como névoa p´ la manhã.

Da escola não há notícia,
A Moral foi ar que lhe deu,
A saúde é tão fictícia
Quem a não tem já morreu.

O suor sabe a vinagre
E já não há quem lhe vale
Talvez só co´ um milagre
Terá salvação Portugal.

São estas as minhas trovas
São estes os meus lamentos
Esperemos por coisas novas
Trazidas por outros ventos.

Frassino Machado
In AS MINHAS ANDANÇAS
FRASSINO MACHADO
Enviado por FRASSINO MACHADO em 15/04/2015
Alterado em 16/04/2015


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras